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sexta-feira, 27 de fevereiro de 2026

O famoso Alfaiate e meu conflito pessoal.



ATENÇÃO: CONTÉM SPOILER

Depois de dois anos, assistindo aos poucos cada episódio desse seriado que achei na Netflix, finalmente terminei. Foi tenso, muito tenso para mim...

Geralmente, no meu café da manhã, eu assisto a algo: um vídeo no YouTube, um mesmo seriado pela milésima vez ou algo novo. É o único momento do dia em que eu realmente sento para relaxar e comer em paz. Achei esse seriado e a fotografia me chamou a atenção: uma mulher de costas, com um vestido vermelho, e um homem segurando a fita que amarra o vestido. Eu amo vermelho. Comecei a ver e percebi que era um seriado turco. Ok, interessante.

Durante a trama, percebi que a trilha sonora trazia muita tensão, assim como o foco das cenas e até mesmo a expressão dos personagens. Isso, ao mesmo tempo que me prendia a ponto de eu não piscar, me deixava nervosa. O personagem principal, Peyami, é o tal alfaiate famoso e muito bom em seu trabalho, mostrando um talento incrível. Mas, em muitas cenas dos primeiros episódios, ele aparece sempre com a mão tremendo, respirando fundo, tenso, bebendo algo que suponho ser uísque. Para mim, ali eu já via algum trauma não curado. Não descobri que trauma foi esse, para ser sincera.

Depois aparece seu melhor amigo, Dimitri, filho único, rico, mimado, herdeiro de uma empresa, amigo de infância que sempre arruma problemas, se envolve com bebidas, mulheres e escândalos. Mas, no final, sempre recorre ao amigo Peyami. E, para formar um triângulo amoroso, aparece Esvet, uma jovem prometida em casamento a Dimitri por razões de herança ou algo assim, que nem me lembro mais. Ela aparece, no início, em uma crise de pânico, sem respirar direito, presa por Dimitri em uma caixa.

Peyami precisa tirar as medidas finais do terno de casamento de Dimitri e do vestido da noiva. Dimitri não quer que Peyami veja a noiva e, para provar que é bom no seu trabalho, ele tira as medidas de olhos vendados. Assim, percebe a respiração ofegante da noiva, o ataque de tosse causado pelo nervosismo e seu corpo inseguro.

Peyami tem um pai com deficiência intelectual e o esconde em um quarto especial de sua casa, enquanto procura uma cuidadora. Esvet escuta, foge e finge ser a cuidadora enviada pela empresa. Dimitri passa um bom tempo à procura da esposa e, cada vez que parece que vai encontrar Esvet (que agora é Firuze), eu ficava tensa. Muitas coisas acontecem nesse meio tempo que eu nem me lembro mais. Mas Peyami e Esvet se apaixonam. Um amor proibido, pois ela volta e casa-se com Dimitri, que não é nada gentil com ela.

Peyami tenta fugir desse amor proibido. Esvet tenta esquecer, mas eles não conseguem. Se beijam e têm a primeira noite juntos em um barco, quando Dimitri volta por suspeitar que sua esposa está o traindo com seu melhor amigo. Foi aí que eu parei de ver. Não conseguia, pois a cada episódio eu passava mal, respirava ofegante e desligava antes de chegar ao fim de cada episódio. Mexia muito comigo.

Acredito que eu vivi o conflito de Esvet. Vi a coragem dela de fugir e encarar Dimitri. Admitir que estava apaixonada por Peyami e tudo o que ela enfrentava... Eu queria ter a coragem dela. Eu sentia por ela a injustiça sofrida, a falta de proteção dos pais adotivos, a solidão de não ter com quem contar, a não ser ela mesma.

Eu não consegui ver os últimos episódios. Eu tinha medo. Medo de Dimitri descobrir e matar os dois. Mas medo por quê, se era só um seriado e eles eram atores? Vai saber...

Tive que ler na internet o final para poder continuar a ver sem sofrer.

O pai de Dimitri pega Peyami e Esvet no flagra e mostra provas para o filho. O filho desmiolado, cheio de traumas desse pai também... Dimitri acaba matando o pai, mesmo que por acidente. Ameaça explodir Peyami, Esvet e ele mesmo em um galpão, mas, no fim, liberta os dois e fica no galpão...

Eles eram amigos de infância, e Dimitri sempre defendeu e confiou em Peyami. E, mesmo descobrindo que foi traído pela esposa e pelo melhor amigo, ele se sacrifica para os dois ficarem juntos.

Um amor de amigo verdadeiro. Peyami foi, de certa forma, covarde por não conversar com seu amigo... Esvet era mais corajosa do que ele.

Percebi que livros, filmes ou histórias de injustiça contra a fragilidade física da mulher mexem muito comigo. Aconteceu o mesmo quando li o livro A Biblioteca de Paris. Tanto medo, injustiça e covardia. Ainda estou me avaliando em relação a isso, mas fiquei feliz de, mesmo tendo demorado, conseguir terminar o seriado.

Larissa Santos Alferes Brasil

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